quinta-feira, 27 de agosto de 2015

Especialista do Google dá dicas para o desenvolvimento de um app de sucesso !



No Google desde 2012, Neto é especialista em desenvolvimento móvel e já organizou diversos eventos para promover o desempenho de apps Android, como o Next Level Apps, sua iniciativa mais recente. No App Makeover, durante a fase de treinamento dos aplicativos selecionados, Marin vai ajudar os participantes a melhorar toda a parte de desenvolvimento, desde a codificação até a experiência dos usuários, além de ajudar a resolver bugs – e também será um dos jurados.

Confira abaixo a entrevista.

Quais os maiores cuidados que um desenvolvedor de app móvel deve ter?

São vários, mas se fosse para eleger o conselho essencial seria que os participantes conheçam as guidelines do Android, que estão disponíveis na internet [você pode encontrar aqui, aqui e aqui a versão em português de algumas das políticas gerais de apps do programa de desenvolvedores do Google] e entendam o que pode e o que não pode ser feito na plataforma. Um ponto importante é solicitar apenas as permissões necessárias para o app acessar dados e/ou utilizar outras funções do dispositivo, como câmera, microfone, Bluetooth e internet, explicando de forma resumida como o aplicativo irá utilizar o serviço requerido. Sem esse cuidado, um usuário mais desconfiado pode se assustar e acabar desistindo de realizar a instalação. É preciso pensar em um bom sistema de notificação para manter o usuário engajado, sem esquecer que é preciso respeitar sua privacidade e seu conforto: notificações indesejadas ou em horários inconvenientes, como de madrugada, geram uma impressão negativa. O usuário também deve ter a opção de desativar avisos de notificação no momento em que quiser. Também é válido tomar cuidado com a forma como o marketing é feito. Você pode divulgar uma promoção disponível no seu app desde que o usuário tenha concordado previamente com isso. Caso contrário, ele pode ficar insatisfeito. Para que isso não aconteça, os termos de uso e de serviço têm que deixar estas possibilidades claras. Por último, mas não menos importante, o desenvolvedor precisa estar atento à performance: a aplicação tem que ser bem desenvolvida para não comprometer o desempenho do smartphone, como utilizar grande parte da bateria ou causar lentidão no dispositivo. Um usuário insatisfeito para de usar o aplicativo ou o substitui por outro.

O que acontece quando o aplicativo não cumpre as políticas do Google Play ou recebe uma reclamação?

Se o desenvolvedor comete uma infração, como copiar uma foto que não deveria ou usar dados do usuário sem permissão, ele recebe um aviso e tem um prazo para ser corrigido. Se corrigido dentro deste tempo, que varia conforme a violação, o desenvolvedor não será penalizado. Caso contrário, ele é removido. Em situações mais graves o aplicativo é removido automaticamente.

O que desenvolvedores acostumados com outras plataformas têm que levar em conta ao desenvolver um app especialmente para o Android?

O aplicativo Android tem que parecer com um aplicativo Android. Isso quer dizer que ele deve respeitar as guidelines da plataforma e também manter uma identidade visual dentro do aplicativo. Para um app ser bem feito, não dá para simplesmente migrar de um local para outro, isso seria como colocar a estrutura do carro de uma montadora específica em um carro de outra montadora que produz automóveis totalmente diferentes. Por isso é preciso adaptar o app às especificações de acordo como local no qual ele se encontra. Por exemplo: o Android é a única plataforma que tem o botão “voltar”, então o desenvolvedor não pode ignorar isso. Mesmo que o usuário prefira utilizar algum comando do próprio smartphone ou outro ícone para fechar a caixa de diálogo, o botão “voltar” tem que responder. Esta função tem que ser levada em conta o tempo todo, senão o usuário não consegue voltar na tela anterior utitlizando apenas a interface do app e acaba se frustrando. O mau uso da plataforma pode gerar um review de classificação baixa, e isso é ruim para o desenvolvedor. Se você está criando para a plataforma Android, desenvolva respeitando estas guidelines desde o início, ou saiba como ajustá-los corretamente.


Neto Marin é developer advocate do Google no Brasil 

Como se destacar dos concorrentes quando dois aplicativos muito parecidos estão em jogo?

O design é fundamental. Existem mais de um milhão de aplicativos no Google Play e a chance de você ter um ou vários concorrentes que ofereçam serviços parecidos é alta! Então, desde o início, o time responsável pelo app precisa pensar em um aplicativo fácil de usar e com uma interface gráfica bonita. Se o seu aplicativo tiver ideias boas, mas deixar a desejar no design, ou ser difícil de usar, você corre o risco de ser trocado pelo concorrente. Por que joguinhos como Angry Birds fazem sucesso? Porque são fáceis de aprender a mexer. Se você desenvolver um aplicativo de corrida, por exemplo, e fornecer uma série de funções – medir batimentos cardíacos, calcular rota, calorias, etc – mas o usuário não saber nem como começar a marcar a distância, ele possivelmente vai trocá-lo por outro aplicativo não tão bom, porém mais fácil de usar. Durante o App Makeover, teremos uma especialista em design de aplicativos que irá orientar as equipes sobre as melhores práticas para criar uma interface intuitiva e que atraia a atenção do usuário.

Qual sua dica para impulsionar o aplicativo?

Vale a pena dar atenção especial à página do Google Play, pois é o primeiro contato do usuário com o seu aplicativo. Faça uma descrição clara e objetiva sobre o que ele faz e como funciona. Seja criativo e, se possível, coloque um vídeo explicando como usá-lo.

Desde o início das inscrições, já é possível traçar um perfil dos participantes?

Recebemos aplicativos dos mais variados estilos. O mais legal é que eles foram criados por empresas bastante diferentes: desde aplicativos de empresas grandes, passando por startups menores e chegando a desenvolvedores individuais. Isso mostra a força do Android como uma plataforma democrática, que pode se ajustar às necessidades do desenvolvedor.

Como será sua participação durante o App Makeover?

Eu sou o cara que mais pediu reunião. Cada especialista vai ter suas reuniões, semanais ou quinzenais. As minhas serão semanais, começando já na primeira semana [a partir de 8 de setembro] com um diagnóstico – e aí é mão na massa. Primeiro vamos ter um treinamento intensivo, com acompanhamento caso a caso. Vamos sentar com as equipes e ajudá-las a fazer as possíveis melhorias no desenvolvimento em geral, toda a parte de código e boas práticas, e também a ajudar a resolver bugs. Tenho experiência com mobilidade desde 2005 e vou trazer isso para as reuniões. Também vou ser um dos jurados que participará da escolha das equipes selecionadas. A ideia é que eles saiam do App Makeover com um aplicativo renovado.

Dentre os aplicativos que já ajudou a aprimorar, qual você indicaria como inspiração aos participantes?

Um aplicativo que acompanhamos bem de perto foi o Dieta e Saúde, que ajuda as pessoas a perderem peso. Já foi destaque no Google Play e hoje conta com mais de três milhões de usuários. Tem também o Swipes – esse é bem legal – que funciona como lista de tarefas.

Qual sua linguagem preferida?

Comecei com Java na faculdade, desde 2000 (profissionalmente desde 2004). Eu diria assim: Java durante a semana e Go, uma linguagem do Google, aos finais de semana, quando invento projetos novos.

Fonte da entrevista: info.abril.com.br

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